Vai ser assim: a gente marca de se encontrar num lugar qualquer que tenha gente, árvores e um café gostoso, e você chega reclamando do trânsito infernal e do tempo confuso que ontem era calor, hoje é frio e parece que amanhã vai chover. Vai encher o saco porque num tem açúcar na bebida e café com adoçante é purgante, depois se irritar com a lerdeza da graçonete que atendeu clientes que chegaram depois da gente. Então, vai debochar do lugar, que é velho e perguntar se num tinha outro melhor pra escolher não. Eu vou te lembrar que foi você quem escolheu ali, e que está cedo demais para tanto stress. Aí, como de costume, você vai colocar a culpa no seu pavio curto e pedir pra eu não piorar as coisas.
Respiro fundo e reviro os olhos. Continuo com o cafezinho já morno, e com o olhar perdido na madame que passeia com o cachorrinho branco. Esqueço que você está ali, e da sua companhia que já me fora bem mais agradável. Esqueço que tempos antes eu daria tudo pra me encontrar contigo, casualmente assim. Esqueço que as pessoas mudam, que você mudou, que eu mudei. Que mudou a forma como eu te amo, que mudou a forma como eu te quero. Mudou, tudo mudou, como sempre muda, meu caro. E é preciso aceitar essas coisas. A vida tem disso, de mudanças que acontecem sem que a gente faça nada.
Então, farta do seu mau humor, vou sorrir pra garçonete lenta e pedir a conta.
Eu pago. Faço questão de pagar. Pagar a conta sem demonstrar a fragilidade feminina que alguém inventou como pretexto pro machismo existir.
Pago pra ver você se levantar e deixar o queixo cair por minha causa. Pago pra notar sua cara espantada quando se der conta que não, eu não te amo mais. E quando der, se der, se eu puder, se eu quiser, a gente se encontra outra vez, pra eu suportar suas chatices outra vez, pra você aturar minha auto suficiência de novo e continua assim. Velhos conhecidos que não se conhecem mais, e mesmo assim sabem exatamente como o outro funciona.
Respiro fundo e reviro os olhos. Continuo com o cafezinho já morno, e com o olhar perdido na madame que passeia com o cachorrinho branco. Esqueço que você está ali, e da sua companhia que já me fora bem mais agradável. Esqueço que tempos antes eu daria tudo pra me encontrar contigo, casualmente assim. Esqueço que as pessoas mudam, que você mudou, que eu mudei. Que mudou a forma como eu te amo, que mudou a forma como eu te quero. Mudou, tudo mudou, como sempre muda, meu caro. E é preciso aceitar essas coisas. A vida tem disso, de mudanças que acontecem sem que a gente faça nada.
Então, farta do seu mau humor, vou sorrir pra garçonete lenta e pedir a conta.
Eu pago. Faço questão de pagar. Pagar a conta sem demonstrar a fragilidade feminina que alguém inventou como pretexto pro machismo existir.
Pago pra ver você se levantar e deixar o queixo cair por minha causa. Pago pra notar sua cara espantada quando se der conta que não, eu não te amo mais. E quando der, se der, se eu puder, se eu quiser, a gente se encontra outra vez, pra eu suportar suas chatices outra vez, pra você aturar minha auto suficiência de novo e continua assim. Velhos conhecidos que não se conhecem mais, e mesmo assim sabem exatamente como o outro funciona.
4 comentários:
a vida é feita de escolhas.
ele pediu pra ser assim, quase exigiu mesmo, pode ser que não faça diferença mas pode também ser que faça A DIFERENÇA.
casos de amor, amores, mal e bem amados.
queria ser aquela formiga que um dia te falei.
queria ser a borboleta que fica na praça da liberdade.
talvez eles sejam melhores de vida, sem sentimento e re-sentimentos.
amor, vida, útil.
mudanças
eu sei como são
eu sinto como são.
melhor assim que nada!
Escolha sua, para dissabor dele. Que só soube dar valor as coisas chatinhas dessa nossa vida. Que desaprendeu a rir dele próprio, que esqueceu de descomplicar. Pra dissabor dele, perdeu você.
Gosto da sua forma de escrever, moça. Gosto muito de passear por aqui. Mineirinha né? A gente se entende! rs.
Beeijo, meu!
Indh,
Vim agradecer seu comentário. Fico toda cheia aqui de saber que voê gostou e que de alguma forma o texto te fez relembrar.
Confissão minha pra você: escrevo muitas vezes pra dar a delicadeza e a intensidade de que minha vida tanto necessita, e as vezes não possui...
Então, fico feliz de compartilhá-la.
Mineirinha tbm, da capitar, igualzim ocê! rsrs.
Beeeeijo, meu!
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