Sonhei que brigamos outra vez. Eu, com meu ciúme ardido, e você, com sua estupidez habitual, nos esgotamos numa briga tórrida e pesada. Saí correndo do sobradinho bonito e lilás, fechei o moletom que ganhei num inverno qualquer, amarrei os cadarços dos tênis que você odeia e aceitei a garrafa de não-sei-o-quê do vizinho. Simpático, o vizinho. Bonito, o vizinho. Por que mesmo que eu não havia me interessado por ele e sim por você? Só lembro que fiquei ali, sentada na calçada, na chuva, nas pedras da rua, na iluminação precária, virando a garrafa goela a baixo e gritando o quanto você é canalha, grosso, idiota. O quanto você é galinha, interesseiro, imbecil. O quanto eu te odiava e queria te matar, quebrando aquela garrafa na sua cabeça com toda a força da minha ira. Aí vinha o vizinho e tentava me levar pra casa dele, pra cama dele, eu acho. Sei lá se disse sim, sei lá se disse não. Amnésia alcoólica. Me disseram que você chegou, surgido num sei de onde e acabou com a raça do pobre. Que você o chamou de oportunista, aproveitador e o acusou de me embriagar, e depois ordenou que eu voltasse pra casa com você. Juro que não lembro de nada, mas quem viu conta que xinguei mais ainda. Berrei que não te queria mais, e que era pra você ficar com a loira gostosa, que era o melhor que você fazia. Pra me deixar em paz, na minha, que eu ia beber mais, o quanto mais eu quisesse. Aí você me pegou no colo, disseram, e me carregou pra qualquer lugar longe da rua e da platéia cada vez maior.
Só sei que essa manhã, ao ver o café, o queijo, as flores e o bilhete, só posso dizer que você não é estúpido não, nem canalha, nem grosso e menos ainda idiota. Só posso dizer que galinhagem não é seu forte, e que jamais pertenceram a você os adjetivos interesseiro e imbecil.
Suas mil maneiras de me ganhar. Seus sutis gestos a desarmarem todo o meu arsenal de venenos.
Eu sei que, depois da ressaca, eu não te odeio não. Eu não quero te matar não. E eu não quero porcaria de vizinho nenhum não.
Vou te esperar chegar nessa casinha lilás que não tem a menor cor sem sua presença.
Só sei que essa manhã, ao ver o café, o queijo, as flores e o bilhete, só posso dizer que você não é estúpido não, nem canalha, nem grosso e menos ainda idiota. Só posso dizer que galinhagem não é seu forte, e que jamais pertenceram a você os adjetivos interesseiro e imbecil.
Suas mil maneiras de me ganhar. Seus sutis gestos a desarmarem todo o meu arsenal de venenos.
Eu sei que, depois da ressaca, eu não te odeio não. Eu não quero te matar não. E eu não quero porcaria de vizinho nenhum não.
Vou te esperar chegar nessa casinha lilás que não tem a menor cor sem sua presença.
Enquanto você não volta, dou um jeito de escorraçar o meu ciúme, que já provocou desastres demais.
4 comentários:
Seu eu lírico é divertidíssimo! uahuahaha
já disse que você escreve muito bem ?
ps : sinto falta de você lá no meu blog.
Indh,
Ciúme é perigoso né? Porque ai a gente fala um monte de inverdades, só porque tá com raiva e pronto. Tempestade cái. E nem dá pra voltar atrás. As palavras não voltam. O pedido de desculpas pode ser aceito, mas as palavras que machucam nem vão embora. Ôô ciúme complicado.
Mas então, seu texto ficou uma coisa só. Único. Que eu adorei. Imaginei até as cenas todas. Ela lá, sozinha, bebendo todas, vizinho se aproveitando, ele chegando e deixando tudo em paz, outra vez. Ai ai.. [suspiro]
Beeeeijo procê, fofura!
p.s.: que dia vai ser nosso subway na praça da liberdade regado a pão-di-queijo e suco de maracujá? =)
Fofura,
Xô contar segredo pra você?
Esse texto ae que você acabou de comentar é autobiográfico. Dessa vez não desenhei personagem não, eu sou a atriz principal. Tudo que tá colorido lá, é coisa minha. Que eu tinha que colocar pro lado de fora. então, afinidade nossa é grandona. E podexa que eu empresto as cores pra você também tá? rs.
Fico feliz que tenha gostado. É diferente quando comentam texto que fala de você. =)
Beeeeeeeijo!
p.s.: De pé demais nosso passeio. Eu já tô de férias, só marcar qq dia bonito desses [a noite - pq a escrava tá de férias só da facul. hohoho!]
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