domingo, 31 de agosto de 2008

Assim e pronto.

Me perguntaram o que você tem de tão especial e pedi tempo pra pensar. Questionaram minha solteirice e eu não soube o que dizer. Elogiaram qualquer beleza de cabelo, sorriso, talento, jeito de ser e eu fiquei sem graça. Sempre me falta graça diante de elogios. Tentaram me juntar com quem não conheço. Quiseram me conquistar e não conseguiram. Eu juro que tentei me deixar levar por encantos, me soltar de mim, ignorar o meu coração. É que não deu. E agora fico a pensar o que você tem, realmente, de tão especial que detêm desse jeito o meu amor e espera. Não há uma resposta óbvia, pronta e acabada, nem clichê que responda à essa pergunta ou pensamento que traduza o que vai dentro de mim.
Eu te amo, e é assim.
Nada simples que possa ser resolvido ou complexo que não me deixe dormir. É assim que espero o dia em que deixarei de te amar, amarei outro bem mais e serei feliz, e então, todas essas declarações que faço para quem quiser ler não terão muito valor ou sentido.
Não faz mal.
Mas tudo é sem cor e mesquinho comparado à você e eu sigo minha vida-arco-íris te esperando chegar pra completar a sétima faixa.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Consciência.

Quando pensei que não poderia ser pior e quando meus olhos se encheram de lágrimas auto-piedosas, me contaram essa história. A história de uma mulher mulata-bonita-sacudida-firme, tudo isso ao mesmo tempo. A mulher que levanta com o sol e se deita quando eu já estou no décimo sono, que amamenta um, leva o outro pra escola e compra absorventes para uma terceira. A mulher que mora num apartamento fétido, se é que aquilo de quatro cômodos mal divididos pode ser chamado de apartamento. A mulher que dorme na cama de casal com o bebê e a criança. A mulher que se preocupa com a adolescente nessa fase complicada da vida de uma garota. Ela que troca fraldas, ajuda no dever de casa e ainda faz escova e chapinha.
Labuta, trabalha, rala, trampa, bica, não recebe. Não reclama. Divide um ovo frito com a menina e percebe que a única caixa de leite na geladeira azedou. Faz uma panela de macarrão e come com expressão de deliciar um banquete.
A mulher que aguenta o homem bêbado, escândalo, mau exemplo pros pequenos. A mulher que se impõe contra abusos, enfrenta desaforos e não troca de roupa pra defender suas crias. Reconhece todas as falhas do passado e os erros do presente mas quer que o futuro da prole seja diferente.
É essa mulher-batalha, retrato de muitas mulheres brasileiras, que divide comigo o mesmo andar de um prédio mofado. Nossas diferenças se dão desde o tamanho de nossos apartamentos até a forma de lidarmos com nossos problemas. Eu choro com pena de mim. Ela sempre sorri mesmo diante das desgraças da vida. Eu fico pensando como será o dia de amanhã. Ela nem pensa nisso, basta cada dia o seu mal.
Ela é o exemplo que deveria ser seguido por todos: determinação, alegria e fé diante de uma vida que nunca foi fácil, mas já foi pior. Então decidi parar de olhar para o meu umbigo e observar mais e em volta de mim, ajudar quem está ao meu redor, ou quem sabe só olhar pro lado, pra porta da vizinha que não tem nada a oferecer e mesmo assim o reparte.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Crises

- Está frio...
-É.
-Odeio frio, a gente fica encolhido, cheio de roupas, de mau humor. É péssimo.
-Aham.
-Eu também não gosto de calor, mas gosto de temperatura equilibrada, nem pra vestir trocentos casacos e nem pra sair por aí pelada. Gosto de ver o sol. Tempo até friozinho, mas com sol. Nublado como está hoje eu odeio. Muito depressivo, muito pra baixo.
-Unhum.
-Que há com você?
-Comigo?
-Está tudo bem? Parece frio, distante...
-Mas como me irrita essa pergunta "está tudo bem?"!
- E queria que eu perguntasse o quê, oras?
-Nada, que não perguntasse.
-Mas você está esquisito.
-Impressão sua.
-Não é não. Não sou boba. E é só comigo!
-Ai, que saco.
-Não me ama mais?
-Eu me recuso a responder a essa pergunta.
-Quem se recusa normalmente tem dúvidas. É simples, é dizer sim ou não.
-Não é simples.
-Não é simples pra quem não sabe o que sente.
-...
-Deixa eu ver se entendi. Você não me ama mais, certo?
-Eu não disse isso. Você é estranha demais.
-Estranha??E você também não disse que me ama.
-Se eu não disse que te amo, e se também não disse que não amo, quer dizer que...
-Você não sabe.
-É...me desculpe, mas estou confuso, eu não queria te magoar e odeio me sentir assim... sem saber o que sinto por você.
-Foi alguma coisa que eu disse? Alguma coisa que eu fiz?
-Por favor, não começa com drama e não piora as coisas.
-Desculpe.
-Desculpada.
- Quer um tempo pra pensar?
-Quero...mas não adianta me dar prazo, porque não vou conseguir responder sob pressão e...
-Eu não estou dando prazo. Não estou cobrando nada. Só perguntei se quer tempo pra pensar. Quanto precisar.
-Você faria isso?
-Sim.
-Obrigada, é gentil de sua parte.
-Não tem que agradecer e isso não é gentileza. É amor.

Os dias passaram. Ele tão frio quanto o tempo e ela fez questão de não dar sinal de vida. Até que num dia desses de sol o telefone tocou:

-Alô.
-Oi.
-Sou eu.
-Eu sabia.
-Como? Virou adivinha agora é?
-Não. É que o telefone toca de um jeito diferente quando é você.
-Achei que ia dizer que colocaram identificador de chamadas aí.
-Não.
-No mais...tudo bem?
-Não.
-Ixi, por quê?
-Não se faça de bobo ok? Estou esperando você ligar há dias!
-Você disse que não me daria prazo.
-Você disse que não demoraria a ligar.
-Não disse!
-Estava implícito! E vamos parar com essa lenga lenga. Diz logo por que ligou.
-AHAHAH Você é estranha demais.
-Você não vai se cansar nunca de me chamar de estranha não?
-Só se algum dia você deixar de ser estranha. Como eu acho que isso não vai acontecer...
-Se eu sou estranha pra quê ligou? Pra quê conversa comigo? Pra quê?
-Opa! Calminha aí. Lá vem soltando os cachorros, num te fiz nada...
-Hunf.
-Sabe por quê eu liguei?
-Não.
-Mas imagina, não é?
-AHAM.
-Então me diz o que você imagina.
-Ligou pra dizer se me ama ou não.
-Menina esperta.
-Normalmente.
-E modesta.
-Sempre. Olha, por favor, responde logo tá? E acaba com essa tortura.
-Você é muito esquentadinha e dramática pro meu gosto.
-E estranha e convencida, eu sei.
-Exatamente!
-...
-E eu liguei pra dizer que você é a mulher que me faz feliz.

domingo, 17 de agosto de 2008

De volta.

Caminhei em direção à lua com a bagagem pesada e o pensamento leve. Brisa fria me cortando o rosto e meninos em trapos procurando diversão. Ruas escuras, casas antigas, moradas de velhinhos fofos e bem penteados. Árvores velhas e majestosas, blocos no chão. Carros indo e vindo e de repente silêncio medonho. A luz da lua que dispensava qualquer iluminação artificial. Como queria esse luar todos os dias. Cachorros latiram e me deu vontade de perguntar a eles se tenho, por acaso, cara de gato. Subi o morro, arrastando as malas e flutuando em mente. Por mim deixaria aquele peso no meio da rua e andaria sem rumo a noite toda, guiada por aquela luz arrebatadora e pelo vento gelado. Mas cheguei ao topo da ladeira e avistei os pontos brilhantes e pequenos dessa cidade grande que numa fração de segundos me pareceu acolhedora. Foi aí que vi a torre. Imensa e azul que vejo todos os dias e noites. Lembrei que já chegara perto dela, mas nunca subi. Lembrei que era longe, mas não inacessível. Exigia um ônibus ou dois e muita paciência, mas as coisas que valem a pena costumam requerer esforços. Desejo de andar em linha reta, com olhos fixos nessa torre, até alcançá-la, subir e então saltar. Acho que ela tem a altura da lua e aí eu pularia e abraçaria aquela gigante luz. A contrução antiga me deu boas vindas junto com meus pequenos vizinhos e então subi as escadas úmidas.
Abri a porta, corri pro quarto, escancarei a janela e lá estava ela sorrindo para mim.
Linda.
Sorri de volta e vi que estava em casa.

sábado, 16 de agosto de 2008

Mudanças.

O ar frio com cheiro de chuva que invade a casa e balança as cortinas me traz uma sensação boa. Sensação de chuva que vem, sensação de água que limpa a sujeira, refresca os pensamentos e leva na enxurrada minhas aflições. A esperança que me invade faz nascer o pensamento de que depois dessa tempestade muita coisa vai mudar. Aguaceiro despenca de um céu negro e destrói o que encontra; o que tem vida e o que não tem. Sinto que essas águas estão pra chegar e destruir muita coisa dentro de mim que vivia e o que já tinha morrido também. Depois do auge da escuridão do céu, depois de lavadas as ruas, a paisagem e a minha alma, o dia nasce como a esperança em mim, com o sol brilhante e tímido, no início, mas que ao longo do dia mostra sua majestade e diz a que veio. Depois de alto, aquece a terra úmida que projeta para fora um pedacinho de verde, de planta que brota, de vida nova que surge dando novo sentido a todas as coisas.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Uma pena.

Ainda acho que sei o dia em que você se apaixonou por mim. Foi bem quando derramei café na sua camisa branca. E eu, desastre ambulante que sou, morta de vergonha, só pude pedir desculpas, mil desculpas. E hoje você chegou com o sorriso mais iluminado desse mundo, com o sol estampado na face para me cumprimentar. Eu dei aquele abraço com satisfação, disse que senti saudades, verdade mesmo.
Você é moço bonito, moço gentil, educado, curioso, inteligente, moço fofo demais, moço cavalheiro, moço que carregaria água na peneira, se eu pedisse, sem se passar por capacho.
Capaz de derreter iceberg quando diz um simples bom dia.
Nem sei se a paixão passou, mas se tiver passado, melhor pra mim, que fico sem peso na consciência, porque a última coisa que quero é magoar alguém como você. Melhor ainda pra você que fica livre de mim logo. Não que eu não seja boa coisa moço. Sei o valor que tenho. Não que eu não te mereça, moço, mas meu jeito não combina com o seu. Não que eu queira ou goste de sofrer, moço, e é absurdamente delicioso saber que tive seu afeto em algum momento dessa vida. Não para enaltecer meu ego, mas é que achei que alguém como você nunca fosse se interessar por alguém como eu e digo isso sem quaisquer complexos, apenas constatação mesmo.
Logo eu, tão largada, tão esparro, tão anti-meiguice, conquistar seus sentimentos?
Foi você o último a dizer que sou confusa e complicada demais, que não conseguia entender meus motivos vários e minhas desculpas. Entendo você, quem eu não consigo entender sou eu mesma.
Você combina com moça descomplicada, desenculcada, livre de dogmas e complexidades do tipo, livre do passado, livre de um futuro já sonhado, que aceite cada dia sem consequências.
E eu não sou assim.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Já deu né?

É esse meu jeito de tratar os outros bem. De ser cordial, de abrir um sorriso de lata, gigantesco, pra quem me dá um oizinho de nada. De não ter muita coragem de ser desagradável e isso não é bom sempre. Não é bom quando descubro que minhas intenções primeiras, e não segundas, terceiras e quartas, são interpretadas de forma errada. Não é bom quando sou vítima de gente intragável e não me defendo por receio de ofender. Não é bom quando me anulo só por falta de ousadia.
Pensando bem, isso não é ser cordial. É ser covarde. É ser omissa. É ser condescendente. Conivente com o erro. Passiva com a arrogância. Cúmplice do autoritarismo e das conclusões errôneas. Mas não será assim mais. As coisas vão mudar por aqui, aqui dentro de mim, dentro desses pensamentos fervilhantes sob iminência de transbordarem em forma de palavras não dóceis, mas reais. Em forma de atitudes aprováveis, porém duras. E eu vou deixar o fogo ligado pra tudo isso ferver mesmo e derramar sujando tudo. Não é hora de calar nem de esconder e fingir que não tem nada acontecendo. De suportar calada as grosserias, falsidades, faca nas costas.
Agora, finalmente, será do jeito que deveria ser desde o início. Não do meu jeito, mas do jeito correto. E meu sorriso continua estampado. Com a sobrancelha esquerda levantada, óbvio.

domingo, 10 de agosto de 2008

O meu pai.

Hoje é dia dos pais e eu já cumpri a tarefa de ligar e dizer a famigerada frase "feliz dia dos pais". Mas eu fiz mais que isso. Falei tudo o que tinha vontade de dizer, mas, por falta de oportunidade (e coragem) nunca disse. Então, nada melhor do que a data em questão, e a distância, porque se fosse ao vivo e em cores creio que a coragem não seria minha amiga, para falar que o amo. E dizer o quanto eu me submeto à autoridade dele sobre a minha vida, e o tanto que obedeço com prazer justamente por causa do amor que sinto por ele. Disse também que não foi sempre assim. Confessei que já obedeci por medo, por obrigação e a contragosto, mas que não é desse jeito mais e eu sou imensamente feliz por isso.
O meu pai não é perfeito. Ele é cheio de defeitos, eu sei, e não é a distância e nem a saudade que eu tenho que o tornam uma pessoa melhor. Eu tenho consciência de que como ser humano ele tem muito a melhorar e, como pai, melhorou de uma forma que eu pensei não ser possível.
O meu pai não diz com frequência que me ama e nem me bajula. Não é de dar presente no natal e nunca me deu nenhum brinquedo no dia das crianças. Meu pai já me deu castigos horrorosos que me causaram dor e mágoa, castigos que nunca entendi, mas que hoje me fazem rir quando lembro. Meu pai já disse coisas terríveis que me ofenderam profundamente a ponto de esmagar a minha alma e meus sentimentos. Já me fez chorar de tristeza, já causou em mim vontade de sumir e nunca mais voltar, de mudar de nome. Mas me dá um alívio do tamanho do mundo quando lembro que perdoei cada atitude ruim, cada palavra pesada, cada castigo infundado. Porque tudo o que ele fez foi para o meu bem, e eu também sei que não sou, nem nunca fui fácil. Eu sei que causei a ele dor, raiva, mágoa e decepção. Sei que disse mentiras, burlei as regras, sei que desobedeci e fui contra a vontade dele, sei que também tive atitudes reprováveis e o melhor é que eu também sei que ele me deu perdão. Se sou o que sou hoje, se tenho alguma qualidade, devo à educação que ele me deu.
Meu pai se preocupa comigo e tem dias duros para me proporcionar a vida que levo. Meu pai ora por mim, meu pai me trata bem, meu pai acredita em mim, meu pai me apoia, meu pai me abençoa, meu pai me aconselha e seus conselhos têm valor para mim. O meu pai me ama.
Hoje, a minha maior vontade é honrá-lo. E não para ter longos dias sobre a Terra e sim porque o amo, e a gente tem sempre que honrar a quem amamos. E de todas as coisas que disse que sei, também sei que ele não lerá esse post, nem hoje, nem dia nenhum, mas o mais legal é que ele já sabe, pelas palavras saídas da minha boca, do amor que sinto.
Amanhã é aniversário dele e é provável que eu repita basicamente tudo o que disse hoje, porque as datas comemorativas mudam, mas o sentimento é o mesmo.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Acredito sim.

A coragem que eu não acho que tenho
O amor que não acredito viver em mim
Compaixão que me visita de vez em quando
Ousadia que passa longe
Firmeza tantas vezes bamba.
Força que me falta.
Mas você disse que eu seria corajosa quando menos esperasse
Que amaria por causa do seu amor por mim
Que ousaria pelo fogo da sua graça em meu coração
Que firmaria meus pés na Rocha pra que eles jamais vacilem
E que é na fraqueza onde eu tenho mais força.
Você disse.
E eu acredito.

segunda-feira, 4 de agosto de 2008

Tudo pra ti.

Eu te dei o meu coração e tudo o que vai com ele; todas as minhas alegrias, todos os meus dons e talentos, os meus medos, os erros que cometi e os que ainda vou cometer, a insensatez, a sabedoria, os risos, os choros, as declarações de amor e as palavras que não deveriam sair da minha boca. Está com você, e eu sei que está em boas mãos. Eu sei que vai cuidar bem dele.
Que as coisas não tenham graça se você não estiver nelas.
Que a música não toque se não falar de você, que os dias sejam mais escuros sem você por perto.
E que eu não me atreva a seguir em diante se você não for na frente, que eu não me atreva a levantar dos tombos se não for segurando na sua mão.
Vem e me mostra seu amor, que é grande.
Me faz entender que está sempre por perto.
Me deixa sentir que é você que me abraça, e mais ninguém.
E que o meu coração, que já é seu, corpo e alma vivam por você,
Minhas letras declaram meu amor por Ti, Jesus amigo, dono da minha vida e razão de eu ainda existir.